Sócrates fala aos Umbandistas

Por Alexandre Cumino
 
Porque umbandistas se interessariam por Sócrates, Platão ou qualquer outro filósofo?

Talvez porque os filósofos se ocu­param das mesmas coisas que nós, ou seja, procurar o que é bom e o que tem valor nesta vida. 
 
Procurar meios para se viver bem é uma questão filosofia, embora nem sempre nos damos conta disso.

Os ensinamentos de Jesus, Buda, Krishna e Kardec por exemplo são filosofia pura acerca de questões palpáveis e não pal­páveis. 
 
A religião aborda questões existen­ciais, como:

“De onde eu vim? Para onde vou? O que estou fazendo aqui?”
 
 Estas questões costumam se rela­cionar com os conhecimentos Metafísico que falam sobre Deus, Alma, imortalidade e outros…
 
A maioria de nós já ouviu falar de Só­crates e Platão; poucos leram algum tex­to no original, e mesmo os que já ti­veram esta curiosidade ou interesse aca­baram encontrando os textos mais aces­síveis ou mais conhecidos como “A Re­pública” e “Apologia a Sócrates”.
 
Calma!

Vamos explicar o que é isso. 
 
Só­crates, assim como Jesus ou Buda, não escreveu nenhuma linha.

Os textos mais conhecidos foram escritos por seu discí­pulo, Platão.
 
Sócrates era um amante da sabedoria (filosofia) que naquele tempo englobava todas as formas de conhecimento, no entanto, dedicava especial atenção aos jovens ensinando-lhes o correto entendi­men­to dos valores, a busca pela verdade e por viver uma vida melhor.
 
Como sempre, o “Estado” entendeu que Sócrates era perigoso e o condenou à morte por “perverter os jovens” e “não cultuar os deuses do Estado”.
 
O que torna relevante a obra de Só­cra­tes, (es­crita por Platão), é a época em que foi escrita: quatro séculos antes de Cristo, e a forma como ele abordou ques­tões tão profundas.
 
 Kardec, no Evangelho segundo espi­ri­tismo, já havia considerado Sócrates e Platão precursores do cristianismo e do espiritismo. 

Nós mesmos, já postamos aqui (no Jornal de Umban­da Sagrada) o texto da “Caverna de Platão” e um outro, chamado “Eram os gregos macumbei­ros?” e parece que o assunto não se esgota. 
 
 No Primeiro Congresso de Umbanda, 1941, as teorias de Platão fo­ram muito citadas como sen­do as mesmas da Umbanda.

Eu não diria as mesmas, mas muito semelhantes. 
 
 Alguns dos melhores conceitos existenciais e metafísicos de Sócrates e Platão estão na obra chamada Fedão ou Fedon, conforme a tradução.

São diálogos de Sócrates com seus discípulos momentos antes de sua morte, onde se entregam a diálogo interessante aos espiritualistas. Vejamos estes conceitos formulados no séc. IV antes de Cristo:
 
Sobre a Morte
 
“Ao vires um homem revoltar-se no instante de morrer, não será isso prova suficiente de que não trata de um amante da sabedoria, porém amante do corpo? Um indivíduo nessas condições, também será, possivelmente, amante do dinheiro ou da fama, se não o for de ambos ao mesmo tempo.

Sobre o que encontramos além dela, a pessoa não iniciada nem purificada, ao chegar ao Hades vai para um lamaçal, ao passo que o iniciado e puro, ao chegar lá passa a morar com os deuses”…
 
Sobre a reencarnação
 
“Estudemo-lo, pois, sob o se­guin­te as­pecto: se as almas dos mortos se encon­tram ou não se encontram no Hades? Con­forme antiga tra­dição, que ora me ocorre, as almas lá existentes foram daqui mesmo e para cá deverão vol­tar, renascendo os mortos. A ser assim, e se os vivos nas­cem dos mor­tos, não terão de estar lá mesmo nossas almas? Pois não poderiam renascer se não existissem, vindo a ser essa, justa­mente a prova decisiva, no caso de ser possível deixar mani­festo que os vivos de outra parte não pro­ce­dem senão dos mortos….

(…) conforme o qual nós devemos forçosamente ter aprendido num tempo anterior o de que nos recordamos agora, o que seria impossível, se nossa alma não preexistisse algures, antes de assumir a forma humana….

(…) Se, em verdade, segundo penso, antes de nascer já tínhamos tal conheci­mento e o perdemos ao nascer, e depois, aplicando nossos sentidos a esses objetos, voltamos a adquirir o conhecimento que já possuíramos num tempo anterior”…

Sobre a ilusão da matéria

Como disse, os amigos da Sabedoria estão cientes de que, ao tomar conta de sua alma em tal estado, a Filosofia lhe fala com doçura e procura libertá-la, mostran­do-lhe quão cheio de ilusões é o conheci­mento adquirido por meio dos olhos, quão enganador o dos ouvidos e dos mais sen­ti­dos, aconselhando a abandoná-los e a não fazer uso deles, se não, só o neces­sá­rio, e a recolher-se e concentrar-se em si mes­ma e só a acreditar em si própria e no que ela em si mesma aprender da realidade em si…
 

Sobre profecias e a divindade
 
(…) “os cisnes… por pertencerem a Apolo, segundo penso, têm o Dom da profecia, e por preverem as delícias do Ha­des, cantam e se alegram nesse dia mui­to mais do que antes. Eu, de minha parte, também me considero servidor igual da divindade, como os cisnes, e a ela consa­grado, e por ser dotado pelo meu senhor de não menor Dom de profecia, não deixarei a vida com menos coragem do que eles”.

Durante o texto Sócrates usa afirma­ções como “Por Deus” e seus discípulos costumam usar “Por Zeus” que junto das colocações acima deixa claro que não era ateu, como podem pensar algumas pes-soas e mais do que isso nos últimos mo­men­tos de vida se dirige a um de seus dis­cípulos nestes termos:
 
(…) Já se lhe tinha esfriado quase… todo o baixo-ventre, quando, descobrin­do o rosto – pois o havia tapado antes – disse, e foram suas últimas palavras: Critão, exclamou, devemos um galo a Asclépio. Não te esqueças de saldar essa dívida! Assim farei, respondeu Critão, vê se queres dizer mais alguma coisa. A essa pergunta, já não respondeu. Decorrido mais algum tempo, deu uma estremeção. O homem o descobriu; tinha o olhar parado. Perce­bendo isso, Critão fechou-lhe os olhos e a boca. Tal foi o fim do nosso amigo…
 
Não creio que podemos dizer Sócra­tes era Umbandista,

como quiseram alguns antes de mim, no entanto podemos dizer:

Temos muito a aprender com Sócrates e as verdades são universais.

Fonte do texto Fédão de Platão

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