Pra quem gosta de Filosofia

Por Alexandre Cumino

Já a algum tempo tenho colocado alguns textos de filósofos e feito comparações, destes, com a Umbanda.

Filosofia é “Amor a Sabedoria”, filosofar é buscar uma vida melhor…

Todas as religiões possuem a sua filosofia, Filosofia das Religiões.

Da filosofia interna de uma religião, do pensar sobre si mesma nasceu a TEOLOGIA.

FILOSOFIA e TEOLOGIA são irmãs e mães de muitas outras ciências…

O pensamento teológico cristão foi buscar nos pensadores gregos a base para sua Teologia…

Santo Agostinho se inspirou em Platão,

São Tomás de Aquino se inspiroiu em Aristóteles…

A Filosofia Grega nos ensinou o pensar e o raciocinio lógico ocidental…

A Filosofia vai além do tempo e do espaço Grego, temos filósofos de todos os tempos e localidades…

Também há uma filosofia Oriental, muito rica por sinal…

Temos muito a aprender com a Filosofia e talvez o que não nos demos conta é que:

A nossa geração tem a oportunidade de acessar todas as filosofias com muita facilidade…

Umbandistas tem a oportunidade de estudar filosofias diversas e religiões diversas…

Temos todos muito que aprender… com a Filosofia…

Coloco abaixo texto retirado do Livro:

 “Mais Platão, menos Prozac”

 

 

 

 

Tradução de ANA LUIZA BORGES

Para aqueles que sempre souberam que a filosofia servia para alguma coisa,

mas não conseguiam explicar exatamente para quê.

“Somente a Razão torna a vida alegre e agradável, excluindo todas as Concepções ou

Opiniões falsas que podem perturbar a mente. ” EPICURO

“A vida que não é examinada não vale a pena ser vivida.” SOCRATES

“O tempo da vida humana não passa de um ponto, e a substância é um fluxo,

e suas percepções embotadas, e a composição do corpo corruptível, e a alma um redemoinho, a

sorte inescrutável, e a fama algo sem sentido… O que, então, pode guiar o homem?

Somente uma coisa, a filosofia.” MARCO AURÉLIO

“As nuvens da minha dor dissolveram-se e bebi na luz. Com os meus pensamentos recobrados, virei-me para examinar a face da minha médica. Girei os olhos e os fixei nela, e vi que era a minha enfermeira, na casa de quem eu fora cuidado desde a minha juventude – a Filosofia. ANICIUS BOETHIUS

“O homem não pode superestimar a grandeza e o poder de sua mente.” GEORG FRIEDRICH HEGEL

“Fazer filosofia é explorar o próprio temperamento, e ao mesmo tempo tentar descobrir a verdade.” IRIS MURDOCH

“O carpinteiro molda a madeira; os arqueiros moldam flechas; o sábio molda a si mesmo.”

BUDA

“Quanto às Doenças da Mente, a Filosofia lhes ofereceu Remédios; sendo, nesse aspecto, justamente considerada a Medicina da Mente.” – EPICURO

“Ser filósofo não é meramente ter pensamentos sutis, nem mesmo fundar uma escola… É resolver alguns dos problemas da vida, não na teoria, mas na prática.” – HENRY DAVID THOREAU

APÊNDICE

A Relação de filósofos Segue uma apresentação resumida de aproximadamente sessenta filósofos e obras clássicas mencionadas neste livro, cujas idéias achei úteis no aconselhamento filosófico. Há muitos outros que não mencionei. Mas, na relação que se segue, você encontrará alguns dos mais importantes.

 

 

ARISTÓTELES, 384-322 a.C.

Filósofo grego, cientista e naturalista Temas: lógica, metafísica, ética

Refrão: O meio-termo (evitar extremos em ideais e no comportamento)

Obras mais conhecidas: Metaphysics, Nicomachean Ethics Quando estudava na Academia de Platão, a principal preocupação de Aristóteles era o conhecimento, obtido por meio da observação de fenômenos naturais. Ele gostava de classificar as coisas (chegou a escrever um livro chamado Categorias). Praticamente inventou a lógica e foi pioneiro em várias ciências. Foi tutor de Alexandre Magno. Por quase dois milênios, Aristóteles foi conhecido como “O Filósofo”.

AGOSTINHO, 354-430

Filósofo e teólogo norte-africano

Tema: pecado original

Refrão: A redenção não se dá neste mundo.

Obras mais conhecidas: Confissões, Cidade de Deus.

Agostinho, Bispo de Hipona e platonista, estava casualmente em Roma quando ela foi

saqueada por Alarico em 410. Mas Roma já havia se convertido ao cristianismo e, portanto,

estava, supostamente, sob a proteção de Deus. Agostinho conciliou esse problema inventando a doutrina do pecado original. Também é famoso por uma oração em seu Confissões: “Fazei-me casto… mas ainda não.”

MARCO AURÉLIO, 121-180

Imperador romano e filósofo estóico

Tema: estoicismo

Refrão: Não supervalorize o que outros podem tirar de você.

Obra mais conhecida: Meditações

“Até mesmo num palácio é possível viver bem.” Marco Aurélio não era um imperador

completamente feliz, mas se consolava com a filosofia estóica. Quando as pessoas falavam

sobre “encarar as coisas filosoficamente”, em geral queriam dizer estoicamente – isto é, com indiferença em relação às dores e aos prazeres mundanos.

FRANCIS BACON, 1561-1626

Filósofo e político inglês

Tema: empirismo

Refrão: O conhecimento é poder.

Obras mais conhecidas: Novum Organum, The Advancement of Learning. Padrinho da revolução

científica, Bacon defendia a generalização, a partir de exemplos específicos dos fenômenos observados, para as leis ou teorias científicas que pudessem ser testadas pela experimentação. Morreu vítima de uma de suas experiências, contraindo pneumonia depois de tentar congelar galinhas em Hampstead Heath.

SIMONE DE BEAUVOIR, 1908-1986

Filósofa e feminista francesa

Temas: existencialismo, feminismo

Refrãos: responsabilidade moral, diferença natural entre os sexos

Obras mais conhecidas: O Segundo Sexo, A Ética da Ambigüidade

Simone de Beauvoir foi uma adepta intransigente do existencialismo de Jean-Paul Sartre, e sua companheira. Escreveu eloqüentemente e filosoficamente sobre as diferenças entre os sexos e suas conseqüências sociais.

JEREMY BENTHAM, 1748-1832

Filósofo britânico

Tema: utilitarismo

Refrão: maior felicidade para o maior número

Obra mais conhecida: Introduction to the Principies of Morais and Legislation

Fundador do utilitarismo, o argumento básico de Bentham era que as ações são morais se maximizam o prazer e minimizam a dor daqueles que são afetados por elas. Isso é chamado de “cálculo hedonista”. Seus ossos estão cobertos e expostos nos claustros do University College London, que ele fundou. Conforme a sua vontade, seus restos são levados ao Senado anualmente, onde ele é registrado como “presente, mas sem votar.”

HENRI BERGSON, 1859-1941

Filósofo e humanista francês, Prêmio Nobel de Literatura de 1927

Temas: vitalismo, dinamismo

Refrão: élan vital (“força vital” não explicável pela ciência)

Obra mais conhecida: Evolução Criativa

Bergson criticou as maneiras mecanicista e materialista de analisar o mundo, defendendo uma abordagem mais espiritual (mas não necessariamente religiosa) da vida.

GEORGE BERKELEY, 1685-1753

Filósofo e bispo irlandês

Tema: idealismo

Refrão: Ser é ser percebido.

Obras mais conhecidas: A Treatisc Concerning the Principies of Human Knowledge, Three Dialogues between Hylas and Philonous

Berkeley negou a existência independente das coisas materiais, argumentando que a realidade é composta de mentes e suas idéias. As coisas existem somente na medida em que são percebidas. Desse modo, Berkeley se aproxima do dogma de Buda de que os fenômenos são uma criação da mente.

BHAGAVAD GITA, 250 a.C.-250 d.C.

Antigo poema épico indiano, sexto livro do Mahabharata, autor anônimo (atribuído

ao sábio mítico Vyasa)

Temas: consciência espiritual, extinção do desejo doentio, dever, carma

Refrão: Atmã é igual a Brahma: a sua alma pessoal faz parte da Alma divina.

O Bhagavad Gita está repleto de ensinamentos sobre o sofrimento humano, suas causas e curas. Adota a doutrina clássica da reencarnação e avança no caminho espiritual em direção à consciência cósmica.

ANICIUS BOETHIUS, cerca de 480-524

Filósofo, teólogo e cônsul romano

Temas: platonismo, cristianismo, paganismo

Refrão: o uso da filosofia para obter perspectiva sobre todas as coisas

Obra mais conhecida: The Comolation of Philosophy

Boethius, um aristocrata romano, ascendeu até adquirir um poder considerável antes de cair em desgraça e ser condenado à morte. Escreveu a sua obra-prima enquanto aguardava a execução na prisão, e ela continua sendo uma obra inspiradora.

MARTIN BUBER, 1878-1965

Filósofo e teólogo judeu alemão

Temas: relações humanas e humanas-divinas

Refrão: Eu-Isso versus Eu-Você

Obra mais conhecida: Eu e Você

Para Buber, as relações ou são ligações recíprocas entre iguais ou uma relação sujeitoobjeto envolvendo um certo grau de controle de um sobre o outro. As relações entre os humanos ou entre humanos e Deus seriam de primeira ordem (Eu-Você como oposto a Eu- Isso).

BUDA (SIDDHARTA GAUTAMA), 563-483 a.C.

Professor e sábio indiano

Temas: budismo

Refrão: como superar a tristeza

Obras mais conhecidas: The Four Noble Truths, Dhammapada, e vários Sutras

(doutrinas) registrados por seus discípulos e seguidores.

Buda é um título que significa “o iluminado” ou “o que despertou para a verdade”.

Siddharta Gautama foi o fundador do budismo. As suas doutrinas e práticas, que compreendem um ramo não-ortodoxo da teologia/filosofia indiana, mostra a maneira mais clara de se levar uma vida com sentido, útil, compassiva, sem sofrimento, sem invocar a superstição religiosa. No entanto, algumas pessoas praticam o budismo como religião. De qualquer maneira, o seu cerne é puro.

ALBERT CAMUS, 1913-1960

Romancista e filósofo francês, Prêmio Nobel de Literatura de 1957

Tema: existencialismo

Refrão: Faça a coisa certa mesmo que o universo seja cruel ou sem sentido.

Obras mais conhecidas: O Estrangeiro, A Peste

Os romances e ensaios de Camus exploram a experiência de não se acreditar em nada além da liberdade e das ações individuais, e das implicações morais dessa maneira de pensar.

THOMAS CARLYLE, 1795-1881

Homem de letras, historiador e crítico social escocês

Temas: individualismo, romantismo

Refrão: A realização é individual.

Obras mais conhecidas: On Heroes, Hero-Worship and the Heroic in History

Calvinista não-praticante, Carlyle rejeitou tanto a maneira mecanicista quanto a utilitarista de analisar o mundo, preferindo uma perspectiva dinâmica. Acreditava na moralidade individual do “homem justo e forte” como oposta à vontade das massas e à influência dos acontecimentos comuns. Curiosamente, também acreditava que nenhum impostor poderia fundar uma grande religião.

CHUANG TSÉ, 369-286 a.C.

Filósofo-sábio chinês, o primeiro depois de Lao Tsé como taoista renomado.

Tema: taoísmo (compreensão do “Caminho”, a ordem natural das coisas)

Refrão: Aprender a alcançar pelo wu-wei (ação imóvel).

Obra mais conhecida: The Complete Works of Chuang Tsé

ChuangTsé foi um taoista exemplar que não teria chamado a si mesmo de taoista. Buscava maneiras de levar uma vida de caridade e retidão, cheia de humor, sem competição, livre de convenções sociais e civis.

CONFÚCIO (KUNG FU TSÉ), 551-479 a.C.

Filósofo, professor e funcionário do governo chinês

Tema: confucionismo

Refrão: Siga o Caminho através do ritual, serviço e dever.

Obra mais conhecida: Analects

Confúcio defendia o governo pela virtude e não pela força. Na sua opinião, a felicidade é alcançada perseguindo-se a excelência na vida pessoal e pública. Defendia a piedade, o respeito, o ritual religioso e a retidão como os componentes da vida harmoniosa. Sua influência na cultura chinesa é comparável à influência de Aristóteles no Ocidente, talvez maior.

RENÉ DESCARTES, 1596-1650

Filósofo e matemático francês

Temas: ceticismo, dualismo

Refrão: “Penso, logo existo.”

Obras mais conhecidas: Meditações, Discurso sobre o Método

Fundador da filosofia moderna, Descartes nos deu a distinção já desenvolvida entre mente e matéria (dualismo cartesiano). Enfatizava a importância da certeza, alcançada por meio da dúvida, como base do conhecimento. Empenhou-se em unificar as ciências em um só sistema de conhecimento. Foi tutor de Catarina, rainha da Suécia.

JOHN DEWEY, 1859-1952

Filósofo, pedagogo e reformador social americano

Tema: pragmatismo

Refrão: A indagação é autocorretora.

Obras mais conhecidas: Reconstruction in Philosophy, Experience and Nature, The

Quest for Certainty Dewey popularizou os ideais pragmáticos, científicos e democráticos. Tentou fazer os pedagogos valorizarem o processo de indagação, em lugar da transmissão rotineira de conhecimento. A filosofia de Dewey foi levada a um trágico extremo na educação americana do fim do século XX, resultando na demonização do conhecimento e na transmissão do barbarismo.

ECLESIÁSTICO, aproximadamente século III a.C.

Um Rei em Jerusalém (Koheleth hebreu), às vezes identificado com Salomão

Tema: o propósito da vida e a conduta

Refrão: “Tudo é vaidade, e uma luta contra moinhos de vento.”

Obra mais conhecida: Eclesiástico (livro do Velho Testamento)

O Eclesiástico refere-se ao egoísmo e à mortalidade do homem. Seus textos podem ser interpretados tanto de modo otimista quanto pessimista e algumas vezes foram proibidos por rabinos que os consideraram hedonistas demais. O Eclesiástico forneceu títulos a romancistas (por exemplo, Earth Abides, The Sun Also arises). Deu ao The Byrds a letra de seu sucesso “Turn, Turn, Turn”. Também forneceu grandes aforismos (por exemplo, “Não há nada de novo sob o sol”).

EPICTETUS, cerca de 55-135

Filósofo e professor romano

Tema: estoicismo

Refrão: apegue-se somente a coisas que estejam inteiramente dentro do seu poder (como

a virtude)

Obras mais conhecidas: Discourses, Enchiridion

Escravo liberto que foi tutor de Marco Aurélio, Epictetus concentrou-se na humildade, filantropia, autocontrole e independência da mente. Diziam que era mais sereno do que o imperador ao qual servia.

EPICURO,34l-270a.C

Filósofo f professor grego

Tema: sabedoria prática

Refrão: a superioridade dos prazeres contemplativos sobre os hedonistas

Obras mais conhecidas: On Nature (restaram fragmentos), De Rerum Natura (poema de

Lucrécio que reflete a filosofia epicurista).

Apesar de o epicurismo ter sido mal interpretado e confundido com o hedonismo

(“Coma, beba e seja feliz, porque amanhã estaremos mortos”), Epicuro, na verdade, defendia prazeres moderados, tais como a busca da estética e da amizade. Fundou uma das primeiras comunas (O Jardim) e considerava a filosofia um guia prático de vida. Talvez tenha sido o primeiro hippie.

KHALIL GIBRAN, 1883-1931

Poeta e filósofo libanês-americano

Tema: romantismo árabe

Refrãos: imaginação, emoção, poder da natureza

Obra mais conhecida: O Profeta

O belo livro de reflexões e aforismos de Gibran tornou-se um eterno favorito entre os jovens.

KURT GÖDEL, 1906-1978

Matemático, lógico e filósofo tcheco-alemão-americano

Tema: teoremas do estado incompleto

Refrão: Nem tudo pode ser provado ou refutado.

Obra mais conhecida: On Formally Undecidable Propositions of Principia Mathematica

and Related Systems I

Kurt Gödel foi capaz de provar, em 1931, que nem toda questão matemática ou lógica pode ser respondida. Isso pôs, efetivamente, um ponto final na busca racionalista do conhecimento perfeito e completo. Depois de emigrar para a América, Gödel fez companhia a Einstein no Institute for Advanced Study de Princeton e provou que a viagem no tempo não é impossível. Às vésperas de se tornar cidadão americano, Gödel descobriu uma falha lógica na Constituição que permitiria a um ditador assumir o poder legalmente. Seu amigo Oskar Morgenstern convenceu-o a não mencionar isso ao juiz na cerimônia de seu juramento.

THOMAS GREEN, 1836-1882

Filósofo britânico

Tema: idealismo

Refrão: Ser real significa estar relacionado a outras coisas.

Obras mais conhecidas: introdução à sua edição da obra de Hume, Prolegomena to

Ethics

Ao contrário do empirismo, Green considerava a mente mais do que um repositório de percepções, emoções e experiências; considerava-a o centro da consciência racional e capaz de produzir relações, intenções e ações. A sua idéia de que todas as nossas crenças são interdependentes antecipou a famosa “rede de crença” de Quine.

Filósofo alemão

Temas: história, política, lógica

Refrão: liberdade como consciência em uma comunidade racionalmente organizada.

Obras mais conhecidas: The Phenomenology of Spirit, The Logic of Hegel,

Encyclopedia ofthe Philosophical Sciences in Outline, The Philosophy of Right

Hegel foi e continua a ser um filósofo muito influente, com idéias abrangentes sobre liberdade, progresso histórico, instabilidade da consciência de si mesmo e sua dependência do reconhecimento pelos outros. Infelizmente, Hegel também influenciou Marx e Engels, e se tornou um apologista involuntário das doutrinas totalitárias.

HERÁCLITO DE ÉFESO, morto depois de 480 a.C.

Filósofo grego

Tema: mudança

Refrão: Todas as coisas estão sempre fluindo; não se pode entrar no mesmo rio duas

vezes.

Obra mais conhecida: On the Universe (restaram fragmentos)

Heráclito defendia a unidade dos opostos e considerava o logos (razão ou conhecimento) uma força organizadora no mundo.

HILLEL, cerca de 70 a.C.-10 d.C.

Rabino erudito e legalista, nascido na Babilônia

Temas: moralidade, piedade, humildade

Refrão: “O que você acha odioso, não faça ao seu próximo.”

Obra mais conhecida: Seven Rules of Hittel (aplicações práticas das leis judaicas)

Hillel foi um dos organizadores da primeira parte do Talmude e um defensor da interpretação liberal da escritura. Foi reverenciado como um grande sábio, e seus alunos definiram o judaísmo por várias gerações.

THOMAS HOBBES, 1588-1679

Filósofo britânico

Temas: materialismo, autoritarismo

Refrão: Os humanos estão naturalmente em uma guerra de “todos contra todos” e

precisam de um poder comum “para manter todos em atitude de reverência”.

Obra mais conhecida: Leviathan

Thomas Hobbes fundou os campos da ciência política e da psicologia empirista. Foi o maior filósofo desde Aristóteles, e sabia disso. Quis como epitáfio: “Aqui jaz a lápide do verdadeiro filósofo.” A sua visão dos seres humanos como extremamente egoístas, intensamente apaixonados, facilmente desencaminhados, constantemente ávidos de poder, e, portanto, seres altamente perigosos foi muito impopular, mas, aparentemente, lógica. Afirmava que a política não devia ser um ramo da teologia e que somente um governo forte pode impedir a violência e a anarquia. Fez muito sentido e muitos inimigos. Sua filosofia antecipou a psicologia freudiana e provocou o contramovimento romântico, defendido por Rousseau. Foi professor particular de geometria do Príncipe Charles II, em seu exílio durante a Guerra Civil inglesa, mas foi proibido de dar instrução política.

DAVID HUME, 1711-1776

Filósofo escocês

Tema: empirismo

Refrão: “Todas as nossas idéias são copiadas das nossas impressões.”

Obra mais conhecida: A Treatise of Human Nature

Empirista cético eminente, Hume foi apelidado de “o infiel”. Opondo-se a Platão, ele acreditava que nenhuma idéia era inata. Também negava a realidade do ego, a necessidade de causa e efeito, e a derivação de valores dos fatos. Tudo isso tornou-o muito impopular durante algum tempo. Também sugeriu que as obras metafísicas fossem queimadas e se consolava com longas caminhadas, bebida e jogo.

I CHING (O LIVRO DAS MUTAÇÕES), aproximadamente século XII a.C.

Antigo livro da sabedoria chinesa, autor(es) anônimo(s)

Temas: Tao, sabedoria prática

Refrão: como escolher ações sensatas e não-sensatas

O I Ching afirma que a situação pessoal, familiar, social e política muda segundo leis naturais que o sábio compreende e leva em conta quando toma decisões. Agindo de acordo com o Tão, faz-se a coisa certa na hora certa e, assim, tira-se o máximo de qualquer situação. Há trinta anos consulto o I Ching e nem uma vez lamentei isso.

WILLIAM JAMES, 1842-1910

Psicólogo e filósofo americano

Tema: pragmatismo

Refrão: “cash-value” (uma idéia deve ser julgada em função do quanto é produtiva)

Obras mais conhecidas: Principies of Psychology, The Varieties of Religious

Experience

James revelou seus interesses dualistas na filosofia e na psicologia ao adotar uma abordagem prática da filosofia (pragmatismo), acreditando que uma idéia é “verdadeira” se tem resultados úteis. Enfatizou as abordagens experimentais e de laboratório da psicologia e a reflexão analítica sobre a experiência.

CYRIL JOAD, 1891-1953

Filósofo e psicólogo britânico

Temas: holismo, humanismo

Refrão: O universo é mais rico, mais misterioso e ainda mais ordenado do que

imaginamos.

Obras mais conhecidas: Guide to Modem Thought, Journey through the War Mind

Joad é um filósofo lamentavelmente negligenciado que acreditava no enriquecimento da compreensão por meio de métodos múltiplos e igualmente compensadores de indagação: lógico, matemático e científico, mas também estético, ético e espiritual. Um grande moralista e humanista, também se preocupava com a filosofia e a psicologia do conflito humano.

 

CARL JUNG, 1875-1961

Psicanalista e filósofo suíço

Temas: inconsciente coletivo, sincronia

Refrão: jornada evolucionária para uma meta final (espiritual)

Obras mais conhecidas: Psychological Types, Synchronicity

Jung foi inicialmente um importante discípulo de Freud e seu aparente herdeiro, mas separou-se dele por causa de uma importante questão filosófica. Enquanto Freud postulava uma base biológica para todas as neuroses ou psicoses, Jung acreditava que os problemas psicológicos são manifestações de crises espirituais não resolvidas. Jung escreveu introduções importantes ao I Ching (edição Wilhelm-Baynes) e ao Livro Tibetano dos Monos (edição Evans-Wentz), tornando essas grandes obras mais acessíveis para o Ocidente.

IMMANUEL KANT, 1724-1804

Filósofo alemão

Temas: filosofia crítica, teoria moral

Refrão: o imperativo categórico (“Aja somente segundo uma máxima que lhe é possível

e que, ao mesmo tempo, quer que se torne uma lei universal”)

Obras mais conhecidas: Critique of Pure Reason, Prolegomena to the Metaphysics of

Morals

Kant foi um racionalista muito influente que tentou averiguar os limites da razão. Sua teoria da moralidade como obediência a princípios superiores, não antecipação de conseqüências, atrai idealistas seculares.

SOREN KIERKEGAARD, 1813-1855

Filósofo e teólogo dinamarquês

Tema: existencialismo

Refrãos: livre-arbítrio, escolha individual

Obras mais conhecidas: Either/Or, The Sickness unto Death

Kierkegaard – o primeiro existencialista – rejeitou a filosofia sistemática de Hegel assim como a religião organizada. Em sua opinião, o julgamento humano é incompleto, subjetivo e limitado, mas também somos livres para escolher e responsáveis por nossas escolhas. Somente explorando e aceitando as ansiedades fundamentais podemos nos liberar dentro da nossa ignorância.

ALFRED KORZYBSKI, 1879-1950

Filósofo polonês-americano

Temas: semântica geral

Refrãos: Os humanos são os únicos que têm consciência do tempo (animais “amarrados

pelo tempo”). A socialização convencional e a linguagem promovem conflitos desnecessários.

Obras mais conhecidas: Science and Sanity, Manhood of Humanity

Korzybski é outro filósofo importante, mas negligenciado, que viu o animal humano como se estivesse sempre em sua infância coletiva e propôs maneiras de amadurecermos como espécie. Explicou como estruturas de linguagem e hábitos de pensamento condicionam e deflagram emoções destrutivas, e buscou maneiras de reestruturar o nosso pensamento.

LAO TSÉ, aproximadamente século VI a.C.

Filósofo chinês

Temas: taoísmo

Refrãos: complementaridade dos opostos, realização sem disputa, relações harmoniosas

Obra mais conhecida: Tao Te Ching (O Livro do Caminho Perfeito)

A identidade de Lao Tsé e o século em que viveu ainda são discutidos, mas, independentemente disso, suas idéias sobre viver a vida em harmonia com o Caminho ainda têm muita força e influência. Conta-se que foi um funcionário público que anotou a sua filosofia ao se aposentar – apocrifamente, sob as ordens de um guarda de fronteira que não o deixaria sair da província se não fosse assim. Ele redigiu um guia filosófico realmente excelente, e, desse modo, fundou o taoísmo.

GOTTFRIED WILHELM LEIBNIZ, 1646-1716

Matemático, filósofo e historiador alemão

Tema: racionalismo

Refrão: Este é o melhor de todos os mundos possíveis.

Obras mais conhecidas: New Essays Concerning Human Understanding, Theodicy,

Monadologie

Apesar de Voltaire satirizar a crença de Leibniz em que “este é o melhor dos mundos possíveis” na personagem do dr, Pangloss em Candide, Leibniz acreditava que tudo acontece por motivos suficientes, muitos dos quais não podemos entender. Leibniz (ao mesmo tempo que Newton) co-inventou o cálculo; também inventou os números binários. Ele acreditava no livre-arbítrio.

JOHN LOCKE, 1632-1704

Filósofo e médico britânico

Temas: empirismo, ciência, política

Refrãos: A experiência é a base do conhecimento; a mente humana é uma tabula rasa

(tábua em branco) ao nascer.

Obras mais conhecidas: Essay Concerning Human Understanding, Two Treatises of

Government

Locke é um dos empirístas britânicos importantes. Inicialmente médico, salvou a vida do Conde de Shaftesbury inserindo, de maneira inovadora, um tubo para drenar um abscesso abdominal. Isso o fez cair nas graças de pessoas poderosas, que lhe pediam conselhos filosóficos. Politicamente, Locke defendia as liberdades individuais e a norma constitucional, o que o colocou à frente de seu tempo na Inglaterra, e exerceu considerável influência sobre o emergente pensamento político americano.

NICOLAUMAQUIAVEL, 1469-1527

Conselheiro italiano

Tema: filosofia política

Refrão: Para ser um líder bem-sucedido, você deve agir da maneira que funcionar, sem

se preocupar com a moralidade convencional.

Obra mais conhecida: O Príncipe

Com um realismo que chocou na época, Maquiavel declarou que o mundo não era um lugar moral e que a política, em particular, não é uma atitude ética. Bertrand Russell chamou O Príncipe de “um manual para gângsteres”, mas eu diria que está mais para Despotismo para tolos.

JOHN MCTAGGART, 1866-1925

Filósofo britânico

Tema: idealismo

Refrão: A realidade é mais que material.

Obra mais conhecida: The Nature of Existence

McTaggart não acreditava na existência de Deus, mas acreditava na imortalidade individual. A sua filosofia do tempo (série B) fornece uma descrição duradoura da resistência.

JOHN STUART MILL, 1806-1873

Filósofo, economista e político escocês

Temas: utilitarismo, libertarismo, igualitarismo

Refrão: liberdade individual

Obras mais conhecidas: Sobre a liberdade, O utilitarismo, A System of Logic, A

sujeição das mulheres

Mill achava que restrições à liberdade individual só deveriam ser permitidas para evitar danos aos outros e foi um defensor ardoroso da liberdade de expressão, da responsabilidade individual e do igualitarismo social. O seu utilitarismo difere do de Bentham no que se refere à convicção de Mill de que o prazer não era a única medida do bem. “É melhor Sócrates insatisfeito do que um porco satisfeito”, afirmou.

GEORGE EDWARD MOORE, 1873-1958

Filósofo britânico

Temas: filosofia analítica, idealismo

Refrãos: “a defesa do senso comum”; a bondade não pode ser definida, mas é

compreendida intuitivamente.

Obra mais conhecida: Principia Ethica

Moore é famoso por sua chamada falácia naturalista, o erro que ele alega que cometemos quando tentamos identificar o bem com qualquer objeto ou propriedade que existe naturalmente, ou tentamos medi-lo. Não obstante, Moore afirmou que as ações podem ser certas ou erradas, mesmo que a bondade não possa ser definida.

IRIS MURDOCH, 1919-1999

Filósofa e romancista britânica

Temas: religião e moralidade

Refrão: o restabelecimento do propósito e da bondade em um mundo fragmentado

Obra mais conhecida: The Sovereignty of Good

Murdoch reavivou o platonismo como um antídoto para a falta de sentido e moralidade no mundo do século XX. Transmitiu a sua filosofia primordialmente e habilidosamente por meio de seus romances.

LEONARD NELSON, 1882-1927

Filósofo alemão

Tema: síntese do racionalismo e do empirismo

Refrão: Podemos raciocinar a partir da nossa experiência particular para chegar à

compreensão das universais.

Obra mais conhecida: Socratic Method and Critical Philosophy

Nelson deu uma contribuição inestimável à prática filosófica, desenvolvendo a teoria e o método do Diálogo Socrático. Quando aplicado de modo adequado, o Diálogo Socrático de Nelson fornece respostas definitivas a questões universais tais como “o que é liberdade?”, “o que é integridade?”, “o que é amor?”

JOHN VON NEUMANN, 1903-1957

Matemático e filósofo húngaro-americano

Temas: teoria do jogo, computação, física

Refrão: A tomada de decisão em situações de risco, conflito de interesses ou incerteza

pode ser analisada por meio da teoria do jogo para se encontrar a melhor opção.

Obra mais conhecida: Theory of Games and Economic Behavior (com Oskar Morgenstern)

John von Neumann colaborou brilhantemente em vários campos, inclusive a matemática, a teoria da computação e a mecânica quântica. A sua invenção (com Morgenstern) da teoria dos jogos marcou o começo de uma ramificação inteiramente nova da matemática, que tem aplicações na filosofia, psicologia, sociologia, biologia, economia e ciência política – sem falar no aconselhamento filosófico.

FRIEDRICH NIETZSCHE, 1844-1900

Filósofo alemão

Tema: anticonvencionalismo extravagante

Refrãos: a vontade de poder, homem versus super-homem

Obras mais conhecidas: Assim Falava Zaratustra, Além do Bem e do Mal, A Genealogia da Moral

Filósofo, poeta, profeta e sifilítico, Nietzsche raramente é maçante. Desprezava a sociedade convencional e criticou severamente o cristianismo como uma religião para escravos. Defendia o surgimento de um übermensch (super-homem), que transcenderia a moralidade convencional – uma idéia mal utilizada pelos nazistas. Curiosamente, ele também atrai pós-modernistas, cuja política tende ao outro extremo. É um testemunho do talento de Nietzsche (ou, possivelmente, loucura). Redigiu aforismos vigorosos e inventou temas polêmicos para pensar (por exemplo, “Deus está morto”, “Sócrates era da ralé”).

CHARLES SANDERS PEIRCE, 1839-1914

Filósofo e cientista americano

Temas: pragmatismo

Refrão: A verdade é uma opinião com a qual todos acabamos concordando e representa

uma realidade objetiva.

Obra mais conhecida: Collected Papers

Peirce foi a personalidade fundadora do pragmatismo americano, que mais tarde, e de modo diferente, foi desenvolvido por Dewey e James. Para distinguir a sua versão, Peirce cunhou o termo pragmaticismo, que não pegou. A filosofia de Peirce foi criticada por Russell por sua aparente subjetividade, mas, na verdade, Peirce foi muito científico em sua perspectiva.

PITÁGORAS, nascido em torno de 570 a.C.

Filósofo e matemático grego

Temas: metempsicose e matemática

Refrão: Todas as coisas são baseadas nas formas geométricas.

Mais conhecido por: Teorema de Pitágoras, Cesura pitagórica.

Atribui-se mais coisas a Pitágoras do que se conhece sobre ele. Aparentemente, pregou a doutrina da metempsicose (a transmigração das almas, ou reencarnação), e absteve-se de comer feijão. A ele é atribuído o famoso teorema da geometria euclidiana, que levou seu nome. Também a ele é creditada a descoberta de que a escala musical de tons e semitons (diatônicas) não permite a afinação perfeita dos instrumentos. Essa anomalia acabou levando à afinação de temperamento igual na época de J. S. Bach (por exemplo, O Cravo Bem Temperado)

PLATÃO, cerca de 429-347 a.C.

Filósofo e acadêmico grego

Tema: essencialismo

Refrão: As essências da bondade, da beleza e da justiça só podem ser compreendidas

através de uma jornada filosófica.

Obra mais conhecida: Os Diálogos de Platão (Incluindo A República)

Platão fundou a Academia (protótipo da universidade) em Atenas. Seus diálogos envolvendo o seu professor Sócrates abrangeu a maior parte do que sabemos sobre a filosofia de Sócrates, por isso fica difícil separar as idéias dos dois. Platão é considerado o fundador do estudo e do discurso filosóficos como ainda praticados hoje.

PROTÀGORAS DE ABDERA, cerca de 485-420 a.C.

Filósofo e professor grego

Temas: relativismo, sofisma

Refrão: “O homem é a medida de todas as coisas.”

Obras mais conhecidas: divulgadas sobretudo através dos diálogos de Platão

“Protágoras” e “Thaetetus”.

Protágoras acreditava que as doutrinas morais podem ser aperfeiçoadas, mesmo que seu valor seja relativo. Também acreditava que a virtude pode ser ensinada. Desenvolveu métodos dialéticos e retóricos mais tarde popularizados por Platão como método socrático. Sofisma adquiriu uma conotação pejorativa injusta. Os sofistas ensinavam às pessoas, por uma taxa, como defender persuasivamente um ponto de vista, independente de ser falso ou injusto. Portanto, os sofistas treinaram a primeira geração de advogados.

WILLARD QUINE, 1908

Filósofo americano

Tema: filosofia analítica

Refrão: Todas as crenças dependem de outras crenças.

Obra mais conhecida: From a Logical Point of View

Quine é o filósofo americano mais importante da segunda metade do século XX. Suas contribuições começaram na lógica e na teoria dos conjuntos e continuaram em teorias do conhecimento e significado. É famoso por ter contestado Kant, por ter-se afastado do positivismo lógico, e por reformular o conceito de Green de que as crenças sempre se dão em conjunção com outras crenças.

AYN RAND, 1905-1982

Escritora e filósofa russo-americana

Temas: ética objetiva, capitalismo romântico (libertarismo)

Refrãos: as virtudes do egoísmo, os vícios do altruísmo

Obras mais conhecidas: The Fountainhead, Atlas Shrugged, The Virtue of Selfishness

Ayn Rand é uma pensadora importante que defendeu a integridade e a capacidade como chaves para uma sociedade produtiva e próspera. Segundo ela, o capitalismo sem exploração (interesse pessoal esclarecido) é o melhor sistema; o socialismo com exploração (interesse coletivo não esclarecido) é o pior. Todos os capitalistas fictícios de Rand estudaram filosofia e são seres virtuosos.

WILLIAM ROSS, 1877-1971

Filósofo britânico

Tema: teoria das obrigações prima facie

Refrão: alguns deveres devem ser mais rigorosamente cumpridos do que outros; a

prioridade depende de cada caso.

Obras mais conhecidas: The Right and the Good, Foundations of Ethics

Ross destaca que os deveres entram em conflito, no sentido de que temos sempre de cumprir uma obrigação à custa de outra. Sua teoria sugere que devemos priorizar nossos deveres cuidadosamente, de acordo com cada situação.

JEAN-JACQUES ROUSSEAU, 1712-1778

Filósofo suíço

Tema: romantismo

Refrão: O ser humano nasce “um bom selvagem” e é corrompido pela civilização.

Obras mais conhecidas: The Social Contract, Discourse on the Origin and Bases of  Inequality among Men

Rousseau enfocou a brecha entre o homem e a natureza e a tensão entre intelecto e emoção, considerando a natureza e a emoção como as maneiras superiores de ser. Apesar de seu romantismo fornecer um contrapeso ao autoritarismo de Hobbes, sua filosofia da educação é uma receita para o desastre.

BERTRAND RUSSELL, 1872-1970

Filósofo britânico, Prêmio Nobel de Literatura de 1950

Temas: realismo, empirismo, lógica, filosofia social e política

Refrão: “A filosofia é uma tentativa extraordinariamente engenhosa de pensar

falaciosamente.”

Obras mais conhecidas: Principia. Mathematica (com Alfred North Whitehead), History of Western Philosophy, Human Knowledge: Its Scope and Limits, Unpopular Essays.

Russell publicou mais de setenta livros em sua vida; suas análises filosóficas abrangem todos os temas concebíveis. Foi um grande homem, um grande erudito que não se esquivava de causas políticas e controvérsias sociais. Foi-lhe negado um cargo no City College of New York depois que o tribunal do estado de Nova York o considerou uma influência imoral sobre a sociedade, principalmente por causa de suas opiniões de vanguarda na época (hoje lugares comuns) sobre o casamento aberto e o divórcio. Enquanto os atenienses mataram Sócrates por supostamente corromper a juventude, os americanos simplesmente negaram um emprego a Russell. Ele deve ter admitido que isso implicava progresso social.

JEAN-PAUL SARTRE, 1905-1980

Filósofo e romancista francês, Prêmio Nobel de Literatura de 1964

Temas: existencialismo, política, marxismo

Refrão: livre-arbítrio; “má-fé” (negação da responsabilidade por nossos atos)

Obras mais conhecidas: A Náusea, O Ser e o Nada, O Existencialismo É um Humanismo

Sartre foi o principal intelectual francês de sua época. Estudou com Husserl (o fundador da Fenomenologia) e Heidegger (a principal figura alemã do existencialismo). Marxista por convicção, Sartre tentou fundar um partido político na França. Apesar de seu envolvimento com o marxismo, defendeu com veemência sua crença na responsabilidade individual.

ARTHUR SCHOPENHAUER, 1788-1860

Filósofo alemão

Temas: volição, resignação, pessimismo

Refrão: A vontade está fora do tempo e do espaço, mas obedecer a seus comandos leva

à infelicidade em qualquer época.

Obra mais conhecida: The World as Will and Idea

Schopenhauer era muito instruído, fluente em várias línguas européias e clássicas, e mantinha uma relação notoriamente difícil com a mãe. É famoso por tentar e fracassar em derrubar Hegel – que ele considerava um sofista e charlatão – de sua posição de influência. Buscou refúgio para o sofrimento emocional na filosofia indiana. Escreveu ensaios pungentes e aforismos acerbos e era um dos poucos filósofos que Wittgenstein lia e admirava. Se isso é bom ou não para Schopenhauer depende de você ler ou admirar Wittgenstein.

LUCIUS SÊNECA, 4 a.C- 65 d.C.

Filósofo e estadista romano

Temas: estoicismo, ética

Refrão: A filosofia, como a vida, deve tratar primordialmente da virtude.

Obra mais conhecida: Moral Letters

Sêneca saiu da obscuridade na Córdoba provinciana para se tornar o tutor do Imperador Nero, tenente e, por fim, sua vítima. Sêneca viveu e morreu segundo a moral ditada pelo estoicismo, aceitando intempéries, triunfo e morte com equanimidade. Suicidou-se seguindo a tradição romana, cortando as veias em um banho quente, quando recebeu ordem para isso do paranóico Nero.

SÓCRATES, cerca de 470-399 a.C.

Filósofo e professor grego

Tema; o método socrático

Refrãos: A vida boa é a vida examinada, passada na busca da sabedoria a todo custo.

Obras mais conhecidas: As idéias de Sócrates foram preservadas somente nos diálogos

de Platão, de modo que, às vezes, é difícil separar o homem Sócrates do personagem Sócrates, e distinguir entre seus pensamentos e os de Platão.

O Sócrates histórico e o Platão histórico são mais fáceis de distinguir. Sócrates (assim

como Buda, Jesus e Gandhi) foi um sábio influente que não tinha um emprego oficial ou uma posição oficial, mas cuja sabedoria atraiu adeptos importantes e que cresceu em prestígio a partir de sua morte. Sócrates via a si mesmo como alguém que constantemente chamava a atenção dos atenienses para a consciência de suas deficiências filosóficas. Deixou-se ser condenado à morte pelo estado corrupto porque seu argumento forçou-o a ficar, embora seus amigos tivessem providenciado a sua fuga. Portanto, ele prezou a filosofia mais que a própria vida. Platão nunca perdoou os atenienses por executarem Sócrates. Os cristãos acreditam que Jesus morreu para redimir a humanidade de seus pecados; pode-se afirmar secularmente que Sócrates morreu para redimir os filósofos do desemprego.

BARUCH SPINOZA, 1632-1677

Filósofo holandês

Tema: racionalismo

Refrão: Todo conhecimento pode ser deduzido.

Obras mais conhecidas: Tractatus Theologico-Potiticus, Ética

As opiniões de Spinoza fizeram com que fosse expulso da comunidade judaica, e seus textos também foram atacados e proibidos pelos teólogos cristãos. Provocou hostilidade até mesmo na tolerante Holanda, onde se refugiou. Acreditava que as paixões humanas autopreservativas (isto é, apetites e aversões) levavam a atos predeterminados, mas podíamos nos libertar livrando a nossa razão dos grilhões da paixão. Como Hobbes, Spinoza achava que não gostamos de uma coisa porque é boa, mas chamamos algo de bom porque gostamos dele.

SUN TZU, aproximadamente século IV a.C.

Conselheiro militar chinês

Tema: filosofia da guerra

Refrão: “Ser inconquistável está sempre com você.”

Obra mais conhecida: A arte da guerra

Sun Tzu redefiniu conflito como uma forma de arte filosófica. Pregava que o “pináculo da excelência” é subjugar o inimigo sem lutar. A sua filosofia da guerra pode ser aplicada analogamente a vários outros tipos de conflitos humanos, da rivalidade conjugai à política.

HENRY DAVID THOREAU, 1817-1862

Escritor, poeta e filósofo americano

Temas: transcendentalismo na Nova Inglaterra

Refrão: a “capacidade inquestionável do homem para elevar a sua vida pelo esforço da

consciência”

Obras mais conhecidas: Walden, On Civil Disobedience

Thoreau defendia a simplicidade, a responsabilidade individual e a comunhão com o ambiente natural como chaves para a vida virtuosa. Viveu e respirou a sua filosofia. A sua teoria da desobediência civil exerceu influência capital em Gandhi e Martin Luther King.

ALFRED NORTH WHITEHEAD, 1861-1947

Filósofo britânico

Tema: empirismo

Refrão: A ciência natural deve estudar o conteúdo das nossas percepções.

Obras mais conhecidas: Principia Mathematica (com Bertrand Russell), The Concept of Nature, Process and Reality

Whitehead buscou uma interpretação unificada de tudo, da física à psicologia.

LUDWIG WITTGENSTEIN, 1889-1951

Filósofo austríaco

Tema: filosofia da linguagem

Refrãos: o escopo e os limites da linguagem; a linguagem como instrumento social

Obras mais conhecidas: Tractatus Logico-Philosophicus, Philosophical Investigations

Wittgenstein acreditava que a filosofia tem pelo menos uma tarefa “terapêutica”: esclarecer mal-entendidos e imprecisões da linguagem, que dão margem a problemas filosóficos. Ele é um dos filósofos mais influentes do século XX.

 

MARY WOLLSTONECRAFT, 1759-1797

Filósofa e feminista britânica

Tema: igualitarismo

Refrão: A função social não deve ser baseada na diferença de sexos.

Obras mais conhecidas: Vindication of the Rights of Women, Vindication of the Rights of Men

Wollstonecraft estava à frente de seu tempo ao afirmar os direitos da mulher. Escreveu de modo articulado e convincente a favor do igualitarismo. Sua correspondência com o grande conservador Edmund Burke é esclarecedora. Era mãe de Mary Shelley, autora de Frankenstein.

Fonte: Mais Platão, menos Prozac.
MARINOFF, Lou.

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