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Doentes e Doenças

outubro 27, 2008

Doentes e Doenças

 

O respeito aos doentes é dever inatacável,

mas vale descrever a ligeira experiência

para a nossa própria orientação.

Penetráramos o nosocômio,

 acompanhando um assistente espiritual

 que ingressava no serviço pela primeira vez,

 e, por isso mesmo era, ali, tão adventício em

matéria de enfermagem, quanto eu próprio.

Atender a quatro irmãos encarnados sofredores,

o nosso encargo inicial nas tarefas do magnetismo curativo.

 Designá-los-emos por números.

Em arejado aposento, abeiramo-nos deles,

 depois de curta oração.

O amigo de número um arfava em constrangedora dispnéia,

 suplicando em voz baixa:

– Valei-me, Senhor!…

 Ai Jesus!… Ai Jesus!…

 Socorrei-me!…

Ó Divino Salvador!…

Curai-me e já não desejarei no

 mundo outra coisa senão servir-vos!…

O segundo implorava,

 sob as dores abdominais em que se contorcia:

– Ó meu Deus, meu Deus!…

Tende misericórdia de mim!…

Concedei-me a saúde e procurarei exclusivamente a vossa vontade…

Aproximamo-nos do terceiro, que, mal

agüentando tremenda cólica renal em recidiva,

tartamudeava ao impacto de pesado suor:

– Piedade, Jesus!…

 Salvai-me!…

 Tenho mulher e quatro filhos…

Salvai-me e prometo ser-vos fiel até a morte!…

Por fim, clamava o de número quatro,

carregando severa crise de artrite reumatóide:

– Jesus! Jesus!…

Ó Divino Médico!…

Atendei-me!…

Amparai-me!…

 Dai-me a saúde, Senhor, e dar-vos-ei a vida!…

Nosso orientador enterneceu-se.

Comovia-nos, deveras, ouvir tão carinhosas

 referências a Deus e ao Cristo, tantos apelos

com inflexão de confiança e ternura.

Sensibilizados, pusemo-nos em ação.

O chefe esmerou-se.

Exímio conhecedor de ondas e fluidos,

 consertou vísceras aqui, sanou disfunções ali,

 renovou células mais além e o resultado não se fez esperar.

Recuperação quase integral para todos.

 Entramos em prece, agradecendo ao Senhor a

 possibilidade de veicular-lhe as bênçãos.

No dia imediato, quando voltamos ao hospital,

 pela manhã, o quadro era diverso.

Melhorados com segurança,

os doentes já nem se lembravam do nome de Jesus.

O enfermo de número um se reportava,

 exasperado, ao irmão que faltara ao

compromisso de visitá-lo na véspera:

– Aquele maldito pagará!…

Já estou suficientemente forte para desancá-lo…

Não veio como prometeu, porque me deve

 dinheiro e naturalmente ficará satisfeito em saber-me esquecido e morto…

O segundo esbravejava:

– Ora essa!…

 Por que me vieram perguntar se eu queria orações?

 Já estou farto de rezar…

 Quero alta hoje!…

Hoje mesmo!…

E se a situação em casa não estiver segundo penso,

 vai haver barulho grosso!

O terceiro reclamava:

– Quem falou aqui em religião?

 Não quero saber disso…

 Chamem o médico…

E gritando para a enfermeira que assomara à porta:

– Moça, se minha mulher telefonar,

diga que sarei e que não estou…

O doente de número quatro vociferava para

 a jovem que trouxera o lanche matinal:

– Saia de minha frente com o seu café requentado,

antes que eu lhe dê com este bule na cara!…

Atônitos, diante da mudança havida,

recorremos à prece, e o supervisor espiritual

 da instituição veio até nós,

 diligenciando consolar-nos e socorrer-nos.

Após ouvir a exposição do mentor

que se responsabilizara pelas bênçãos recebidas,

esclareceu bem-humorado:

– Sim, vocês cometeram pequeno engano.

 Nossos irmãos ainda não se acham habilitados

 para o retorno à saúde, com o êxito desejável.

 Imprescindível baixar a taxa das melhoras efetuadas…

E, sem qualquer delonga, o superior podou energias aqui,

 diminuiu recursos ali, interferiu em determinados

 centros orgânicos mais além, e, com grande surpresa

 para o nosso grupo socorrista, os irmãos enfermos,

com ligeiras alterações para a melhoria,

 foram restituídos ao estado anterior,

para que não lhes viesse a ocorrer coisa pior.

 

 

Autor:
Chico Xavier
(médium)
Irmão X (espírito)

Fonte:
Livro: Idéias e Ilustrações

 

O PRIMEIRO CAPÍTULO

outubro 27, 2008

Allan Kardec, o respeitável professor Donizard Rivail, já havia organizado extensa porção das páginas reveladoras que constituem O Livro dos Espíritos.

Devotado observador, aliara inteligência e carinho, método e bom senso na formação da primeira obra que lançaria os fundamentos da Doutrina Espírita.

Não desconhecia que a sobrevivência da alma era tema empolgante no século. Entretanto, apontamentos e experimentações, em torno do assunto, alinhavam-se desordenados e nebulosos. Os fenômenos do intercâmbio, pareciam ameaçados pela hipertrofia de espetaculosidade.

Saindo de humilde vilarejo da América do Norte, a comunicação com os Espíritos desencarnados atingira os mais cultos ambientes da Europa, originando infrutífero sensacionalismo. Era necessário surgisse alguém com bastante coragem para extrair do labirinto a linha básica da filosofia consoladora que os fatos consubstanciavam, irrefutáveis e abundantes.

Advertido por amigos da Espiritualidade de que a ele se atribuía, em nome do Senhor, a elevada missão de codificar os princípios espíritas, destinados à mais ampla reforma religiosa, pusera mãos ao trabalho, sem cogitar de sacrifícios. E adotando o sistema de perguntas e respostas, conseguiria vasta colheita de esclarecimento e de luz.

Guardava consigo preciosas anotações acerca da constituição geral do Universo, surpreendente informes sobre a vida de além-túmulo e belas asserções definindo as leis morais que orientam a Humanidade.

O material esparso equivalia quase que praticamente ao livro pronto. Contudo, era preciso estabelecer um ponto de partida. O primeiro compêndio do Espiritismo, endereçado ao presente ao futuro, não podia prescindir de sólidos alicerces.

E, debruçado sobre a mesa de trabalho, em nevada noite do inverno de 1856, o Codificador interrogava a si mesmo: – Por onde começar? Pelas conclusões científicas ou pelas indagações filosóficas? Seria justo desligar a Doutrina, que vinha consagrar o antigo ensinamento do Cristo, de todo e qualquer apoio da fé, na construção das bases que lhe diziam respeito?

O conhecimento humano!… – pensava ele – não se modificava o conhecimento humano todos os dias?… As ilações filosófico-científicas não eram as mesmas em todos os séculos… E valeria escravizar o Espiritismo à exaltação do cérebro, em prejuízo do sentimento?

Atormentado, via mentalmente os homens de seu tempo e de sua pátria extraviados na sombra do materialismo demolidor…

A grande revolução que pretendera entronizar os direitos do Homem ainda estava presente no ar que ele respirava. Desde 2 de Dezembro de 1851, o governo de Luis Napoleão, que retomava as linhas do Império, permitia prisões em massa, com deliberada perseguição aos elementos de todas as classes sociais que não aplaudissem os planos do poder. Muitos membros da Assembléia haviam sofrido banimento e mais de vinte mil franceses jaziam deportados, muitos deles sem qualquer razão justa. Homens dignos eram enviados a regiões inóspitas, quando não eram confiados, no cárcere, à morte lenta.

O pensamento do missionário foi mais longe… Recordou-se de Voltaire e Rousseau, admiráveis condutores da inteligência, mas também precursores da ironia e do terror. Lembrou Condorcet, o filósofo e matemático, envenenando-se para escapar à guilhotina, e Marat, o médico e publicista, assassinado num banho de sangue, quando instigava a matança e a destruição.

Valeria a cultura da inteligência, só por si, quando, a par dos bens que espalhava, podia desmandar-se em sarcasmo arrasador e loucura furiosa?

Com o respeito que ele consagrava incondicionalmente à Ciência e à Filosofia, Kardec orou com todo o coração, suplicando a inspiração do Alto. Erguia-se-lhe a prece comovente, quando raios de amor lhe envolveram o espírito inquieto e ele ouviu, na acústica da própria alma, vigoroso apelo íntimo: – “Não menosprezes a fé!… Não comeces a obra redentora sem a Bênção Divina!…”.

E o Codificador, nimbado de luz, com a emotividade jubilosa de quem por fim encontrara solução o terrível problema, longamente sofrido, consagrou o primeiro capítulo de O Livro dos espíritos à existência de Deus.

pelo Espírito Irmão X – Do livro: “Doutrina Escola” – psicografia de Francisco Cândido Xavier – Autores Diversos.

Espiritismo

outubro 27, 2008

O Espiritismo tem por missão fundamental, entre os homens a reforma interior de cada um, fornecendo explicações ao porquê dos destinos, razão pela qual muitos conceitos usuais são por ele restaurados ou corrigidos, para que se faça luz nas consciências e consolo nos corações.

Assim como o Cristo não veio destruir a Lei, porém cumpri-la, a Doutrina Espírita não veio desdizer os ensinos do Senhor, mas desenvolvê-los, completá-los e explicá-los “em termos claros para toda a gente, quando foram ditos sob forma alegóricas”.

A rigor, a verdade pode caminhar distante da palavra com que aspiramos a traduzi-la.

Renove, pois, as expressões do seu pensamento e a vida renovar-se-lhe-á inteiramente, nas fainas de cada hora.

pelo Espírito André Luiz – do Livro: “O Espírito da Verdade”.

CARIDADE

outubro 27, 2008

Caridade é, sobretudo, amizade…
Para o faminto
 é o prato de sopa.
Para o triste
 é a palavra consoladora.
Para o mau
 é a paciência com que nos compete auxiliá-lo.
Para o desesperado
 é o auxílio do coração.
Para o ignorante
 é o ensino despretensioso.
Para o ingrato
 é o esquecimento da ingratidão.
Para o enfermo
 é a visita pessoal.
Para o estudante

 é o concurso no aprendizado.

Para a criança – é a proteção construtiva.
Para o inimigo
 é o perdão.
Para o amigo
 é o estímulo.
Para o orgulhoso
 é a humildade.
Para o impulsivo
 é a serenidade.
Para o preguiçoso
 é o trabalho.
Para o leviano
 é a tolerância.  

Uma Simples Palavra

outubro 27, 2008

 

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Uma simples palavra humilde e boa,
Que esclareça e reanime,
Traz consigo o milagre, amplo e sublime,
Do amor que regenera e aperfeiçoa.

Um “sim” ou um “não”, na graça de um sorriso,
Uma frase de estímulo e ternura,
Muitas vezes, restauram de improviso,
O coração chagado de amargura.

Mas a palavra contundente e rude,
Que exprime acusação, miséria e ofensa,
Mata os gérmens da paz e da virtude
E traz consigo as travas da descrença.

Freqüentemente, o golpe inesperado
Do mal escuro que nos dilacera,
Procede do veneno disfarçado,
Na língua que vergasta ou desespera.

Bendita a frase calma e enobrecida !
Bendito o verbo doce, amigo e forte !…
Uma simples palavra traz a vida,
Uma simples palavra traz a morte.

(Psicografada pelo Médium

 Francisco C. Xavier)

 

” TUDO É AMOR “

outubro 3, 2008

Vida-É o Amor existencial.
Razão-É o Amor que pondera.

Estudo-É o Amor que analisa.

Ciência-É o Amor que investiga.

Filosofia-É o Amor que pensa.

Religião-É o amor que busca Deus.

Verdade-É o Amor que se eterniza.

Ideal-É o Amor que se eleva.

Fé-É o Amor que se transcende.

Esperança-É o Amor que sonha.

Caridade-É o Amor que auxilia.

Fraternidade-É o Amor que se expande.

Sacrifício-É o Amor que se esforça.

Renúncia-É o Amor que se depura.

Simpatia-É o Amor que sorri.

Altruísmo-É o Amor que se engrandece.

Trabalho-É o Amor que constrói.

Indiferença-É o Amor que se esconde.

Desespero-É o Amor que se desgoverna.

Paixão-É o Amor que se desequilibra.

Ciúme-É o Amor que se desvaira.

Egoísmo-É o Amor que se animaliza.

Orgulho-É o Amor que enlouquece.

Sensualismo-É o Amor que se envenena.

Vaidade-É o Amor que se embriaga.

Finalmente, o ódio que julgas ser a

antítese do Amor, não é senão o

próprio Amor que adoeceu gravemente.

(Chico Xavier)

ROGATIVA DO OUTRO

outubro 3, 2008

Sei que te feri sem querer, em meu gesto impensado.

Pretendias apoio e falhei, quando mais necessitavas de arrimo. Aguardavas alegria e consolo, através de meus lábios, e esmaguei-te a esperança…

Entretanto, volto a ver-te e rogo humildemente para que me perdoes…

Ouviste-me a palavra correta e julgaste-me em plena luz; sem perceber o espinheiro de sombra encravado em minhalma; Reparaste-me o traje festivo, mas não viste as chagas de desencanto e fraqueza que ainda trago no coração.

Às vezes encorajo muitos daqueles que me procuram, fatigados de pranto, não por méritos que não tenho e sim esparzindo os tesouros de amor dos espíritos generosos que me sustentam, contudo, justamente na hora em que me buscaste, chorava sem lágrimas, nas últimas raias da solidão. Talvez por isso não encontrei comigo senão frieza para ofertar-te.

Revela-me o desespero quando me pedias brandura e desculpa-me o haver-te dado reprovação, quando esperavas entendimento.

Deixa, porém, que eu te abrace de novo e, então, lerás em meus olhos, estas breves palavras que me pararam na boca: perdoa-me a falta e tem dó de mim.

pelo Espírito Meimei – do Livro: Ideal Espírita – Psicografia Francisco C. Xavier – Espíritos Diversos.

PREITO DE AMOR

outubro 3, 2008

Senhor Jesus!

Em Teu louvor, apóstolo de tua causa homenageiam-Te, em toda a parte. E vamos, por toda a parte, os que Te ofertam:

a riqueza do exemplo;
a oficina do lar;
o brilho da cultura;
o ouro da palavra;
a luz da fé viva;
as fontes da compreensão;
os sonhos da arte;
os lauréis da poesia;
as obras-primas da bondade;
os tesouros da afeto.

Perdoa, Mestre, se nada mais possuímos, a fim de honorificar-te, senão estas páginas singelas que colocamos, em teu nome, na estante da vida, páginas que aliás, fundamentalmente, não são nossas. Constituem migalhas de Tua glória, humildes reflexos de Teus próprios ensinamentos que recolhemos na estrada, em que tentamos, de algum modo, admirar-Te e seguir-Te.

E se assim procedemos, Senhor, trazendo-Te em restituição aquilo que Te pertence é que nós todos – os espíritos ainda vinculados à Terra – precisamos de Ti.

do Livro: Estante da Vida – Pelo Espírito “Irmão X” – Psicografia Francisco C. Xavier.

NA DIREÇÃO DO BEM

outubro 3, 2008

O senhor tudo criou na direção do bem.

Todas as criaturas, por isto, são chamadas a produzir proveitosamente.

A erva tenra sustenta os animais.
A fonte oculta socorre o inseto humilde.
A árvore é abençoada companheira dos homens.
A flor produzirá fruto.
O fruto dar-nos-á mesa farta.
O rio distribui as águas.
A chuva lava o céu e sacia a terra sedenta.
A pedra faz o alicerce de nossa casa.
A boa palavra revela o bom caminho.

Como desconhecer os santos propósitos da vida, se a natureza que a sustenta reflete os sábios desígnios da Providência?

Grande escola para o nosso espírito, a Terra é um livro gigantesco em que podemos ler a mensagem de amor universal que o Pai celeste nos envia.

Desde a gota de orvalho que alimenta o cacto espinhoso, à luz do sol que brilha no alto para todos os seres, podemos sentir o apelo da Infinita Sabedoria ao serviço de cooperação na felicidade, na paz e na alegria dos semelhantes.

Todo homem e toda mulher nascem no mundo para tarefas santificantes, segundo a Divina Lei.

Com alegria, o bom administrador governa os interesses do povo.

Com alegria, o bom lavrador ara o solo e protege a sementeira.

O homem que semeia no chão, garantindo a subsistência das criaturas, é irmão daquele que dirige o pensamento das nações para o conhecimento divino.

A mulher que recebe homenagens pelas suas virtudes públicas é irmã daquela que, na intimidade do lar, se sacrifica pela criancinha doente.

Deus conhece as pessoas pelo que produzem, assim como nós conhecemos as árvores pelos frutos que nos estendem.

Em razão disto, os homens bons são amados e respeitados.

A presença deles atrai o carinho e a veneração dos semelhantes. Os maus, todavia, são portadores de ações e palavras indesejáveis e toda gente lhes evita o convívio, tanto quanto nos afastamos das plantas espinhosas e ingratas.

O homem bom compreende que a vida lhe pede a bênção do serviço e levanta-se cada manhã, pensando: “Que belo dia para trabalhar”.

O mau, porém, ergue-se de mau humor. Não sabe sorrir para os que o cercam e costuma exclamar: “Dia terrível! Que destino cruel! Detesto o trabalho e odeio a vida!”.

Um homem, qual esse, precisa de auxílio dos homens bons, porque em não se dedicando ao serviço digno será realmente muito infeliz.

Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Do livro: Alvorada Cristã. Pelo Espírito Néio Lúcio.